Lilia Schwarcz foi vítima do monstro que ajudou a criar

Por Adelson Vidal Alves

Lilia Schwarcz foi cancelada. A antropóloga cometeu o pecado capital de criticar uma pessoa de pele negra, sendo ela branca. Esqueceu de uma “lei” implacável que proíbe “raças opressoras” de opinar sobre a vida das “raças oprimidas”. Lilia escreveu artigo na Folha de São Paulo criticando o álbum “Black is King”, da estrela pop Beyoncé, tratado no texto como “glamourização da negritude”, fundado em idealizações de uma África idílica. A autora está certa, certíssima. Mas Beyoncé fez o que o movimento negro faz há anos.

Eu também fui “cancelado”, quando escrevi artigo criticando um espaço cultural da minha cidade, que funciona como escola racial. O Memorial Zumbi, como é denominado, é saudado como espaço de valorização da cultura negra, mas é a expansão permanente do que fez Beyoncé: a cultura como catequese racial.

O artigo da uspiana, referência em estudos sobre escravidão, foi alvo de ataques…

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Juíza aponta centralidade do movimento sindical na luta para mudar os rumos do Brasil

Doutora em Direito do Trabalho pela USP/SP, a juíza do Tribunal Regional do Trabalho da Quarta Região, Valdete Souto Severo, é conhecida pelas opiniões firmes e progressistas que sustenta em defesa das causas democráticas e, em especial, da classe trabalhadora, razão pela qual goza de muito respeito no movimento sindical e ao mesmo tempo é vítima da intolerância e do ódio das forças conservadoras e seus representantes no Poder Judiciário.

Por causa de umartigocrítico ao governo Bolsonaro a magistrada é alvo de um “pedido de providências” da Corregedoria Nacional da Justiça com nítida conotação de censura e intimidação repudiado pordezenas de entidades e personalidades.Em entrevista ao jornalista Umberto Martins, ela aborda a conjuntura, constata que sob o governo Bolsonaro o Brasil caminha para a barbárie e destaca a importância dos sindicatos na luta pela mudança de rumos.

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Haroldo Lima: Lembrar de Mandela e de Mao Zedong

Blog do Renato

O nome de Mandela foi trazido pelo governador Flávio Dino como fonte de inspiração, pelo menos para uma parte dos brasileiros. O líder maranhense tem esquadrinhado a realidade oposicionista fracionada à cata de uma saída. Como nordestino sabe como é verdadeira uma das leis de Murphy, a de que “o ruim pode piorar”, o que nos remete à outra que diz que “tudo relegado à própria sorte tende ir de mal a pior.”

Mandela é exemplo pródigo em variadas questões, como nas batalhas políticas que exigem tenacidade, na compreensão de que a luta contra ideias retrógradas deve estar integrada à luta pela construção de um estado nacional e democrático, no otimismo com que aponta futuro luminoso em meio às intempéries do momento.

Existe, contudo, uma situação em que a postura avocada do líder sul-africano é de fato paradigmática, que é a sua posição ao sair da prisão de 27 anos…

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Verdades e mitos sobre o filme “O jovem Karl Marx”, de Raoul Peck

Blog da Boitempo

Este ano, completam-se 200 anos de nascimento de Karl Marx. Em homenagem à data, a Boitempo – maior editora de Marx no Brasil – prepara uma série de lançamentos de peso. Entre eles está a ambiciosa biografia intelectual e política de Karl Marx escrita pelo pesquisador da Marx-Engels-Gesamtausgabe II, Michael Heinrich. Intitulada Karl Marx e o nascimento da sociedade moderna, a obra será dividida em ao menos três volumes, dos quais o primeiro terá sua publicação mundial este ano. A pedido da editora, ele escreveu sobre o filme O jovem Karl Marx, digirido por Raoul Peck, e que está atualmente em cartaz em ao menos dez cidades no Brasil: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Niterói, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, Santos, São Paulo e Vitória. A tradução é de Artur Renzo.

Boa leitura!

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Por Michael Heinrich.

O jovem Karl Marx é um belo filme, realizado de maneira muito profissional por…

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