E a montanha rugiu, rugiu e pariu… um rato! (Ou sobre a fabricação da indignação seletiva)

Depois de toda a expectativa pela divulgação da lista de parlamentares investigados pela Operação Lava Jato desde 2014, com lances de suspense e tentativas de golpe midiático para interferir no resultado do 2º turno da eleição presidencial, eis que há mesma é divulgada em horário que “por acaso” permite sua apresentação com pompa e circunstância no jornal nacional, panfleto/boletim diário da grande burguesia nacional, que a mídia comercial e familiar utiliza para forjar diariamente a consciência da “opinião pública”.

Que decepção! Dos 47 agentes políticos investigados, que inclui 12 senadores e 22 deputados, 32 são do Partido Progressista (PP), 7 do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), 6 do Partido dos Trabalhadores (PT), 1 do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e 1 do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Dos 32 do PP, 6 são do Rio Grande do Sul (e são os nordestinos que não sabem votar!). Estado onde o PP apoiou Aécio Neves!

Não podemos esquecer que em vários estados o PP apoiou Aécio Neves, em movimento liderado pelo Senador e hoje Vice Governador do Estado do Rio Francisco Dornelles!

Nova decepção! Enquanto para o PP e PMDB fala-se em mesadas e até pagamentos semanais, os do PT são citados porque pediram doações para campanha eleitoral!

Isso é crime? Trabalho para que passe a ser, mas hoje não é!

Mas o “bem informado” leitor da veja, agora está pensando: Foi dinheiro de fonte escusa e não declarado (caixa 2)! Muito bem! Se foi assim, se investigue, prove e puna os envolvidos, inclusive com perda de mandato parlamentar.

Isso partindo do princípio que a delação “combinada” é passível de ser verdadeira e de ser provada. Porque não basta dizer, tem que provar!

Por que a decepção? Para aqueles que esperavam a prova inconteste de que a corrupção política no Brasil foi inventada pelo Governo Lula, deu ruim…

O Partido Progressista (PP) nasceu em 2003 pela modificação do nome do Partido Progressista Brasileiro (PPB), fundado em 1995, pela fusão do Partido Progressista (PP) com o Partido Progressista Reformador (PPR). O PPR foi criado em 1993 pela fusão do Partido Democrata Cristão (PDC) com o Partido Democrático Social (PDS). O PDS tinha sido criado em 1980 com a mudança de nome da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido que deu sustentação política à ditadura militar.

O PP é um partido lateral na composição de governo no Congresso Nacional, que desde o governo Lula vem possibilitando a governabilidade do País. Composto majoritariamente por grandes empresários e latifundiários (hoje conhecidos como “agronegócio”). De viés notoriamente conservador, está no governo desde a ditadura militar (como demonstrei anteriormente), e hoje se sabe que os desvios na Petrobrás vêm desde aquela época. Na legislatura passada (2010-2014), era o único partido entre as grandes bancadas na Câmara dos Deputados que não tinha nenhuma mulher em sua composição.

Portanto, só a cegueira política, aliada a doses cavalares de indignação seletiva, que a mídia comercial e familiar vem fabricando lenta e competentemente, pode explicar a mistura de todos no mesmo saco.

A estreita ligação entre a corrupção, os desvios de recursos públicos (embora no caso da Petrobrás, não o sejam! Mas isso é assunto para um outro texto.) e o financiamento de campanhas eleitorais por empresas é cada vez mais incontestável. O financiamento empresarial esgotou o seu ciclo!

A Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pela OAB Nacional já tem maioria no STF para proibir a doação de empresas para campanhas eleitorais, mas o pedido de vista do Ministro Gilmar “Dantas” Mendes desde abril de 2014, trava a finalização do processo.

Enquanto isso, o Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), notório pilantra e dono de extensa folha corrida, apressa a tramitação de Proposta de Emenda Constitucional (PEC 352/13) que visa constitucionalizar a doação de empresas para campanhas eleitorais, cronificando a situação atual.

A Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, grupo que reúne mais de 100 entidades e movimentos sociais, entre elas, CNBB, OAB, Contag, CUT, Fenaj, UNE e MST apresentou um Projeto de Lei, que conta com a assinatura de mais de 120 parlamentares. A proposta de iniciativa popular de reforma política (PL 6316/13), entre outros pontos, impõe teto de gastos para as campanhas, bem com limita a fonte de financiamento apenas a recursos públicos previstos em lei e a contribuições de pessoas físicas, com limite máximo de R$ 700. O projeto está apensado ao PL 1538/07, em tramitação há mais tempo na Câmara. Essa proposta está pronta para ser votada no plenário da Câmara, dependendo apenas de decisão do Presidente da Câmara.

Portanto amigo leitor, quando você pensar em se indignar com a corrupção dos “políticos”, lembre que ações estão acontecendo para reverter esta situação e a sua participação é fundamental para que elas tenham êxito!

Se informe! Participe!

Entre no site http://www.reformapoliticademocratica.org.br/ e assine o Projeto de Lei de iniciativa Popular! Ao alcançar 1,5 milhão de assinaturas de eleitores, este passa a não depender mais da vontade do Presidente da Câmara para entrar em votação.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s