Esquerdismo, doença infantil do comunismo

‎”O doutrinarismo de esquerda obstina-se em repelir incondicionalmente certas formas antigas, sem ver que o novo conteúdo abre seu caminho através de todas as espécies de formas e que nosso dever de comunistas consiste em dominá-las todas, em aprender a completar umas com as outras e a substituir umas por outras com a máxima rapidez, em adaptar a nossa tática a qualquer modificação dessa natureza, causada por uma classe que não seja a nossa ou por esforços que não os nossos”.

Lênin
Em última instância, os dois desvios de doutrinarismo de direita ou de esquerda, que podem se tornar em oportunismos político-ideológicos, decorrem do “afastamento na prática da dialética marxista”.
http://blogdocarlosmaia.blogspot.com.br/2012/04/esquerdismo-doenca-infantil-do.html

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Sobre a necessidade de um partido político revolucionário:

• Na política, onde as coisas são mais complexas, nem sempre é fácil estabelecer quais são os compromissos justos e necessários e quais são os compromissos que acarretam prejuízos para o desenvolvimento do processo revolucionário.

• Por isso é necessário a existência de uma organização partidária com quadros experimentados que “além dos conhecimentos e da experiência”, tenham “sagacidade para resolver bem e rapidamente as questões políticas complexas”.

 
Lênin

Os serviços de Marina Silva

Luiz Manfredini *

 

Nos anos 90, a direita dispunha de um programa para o Brasil: o programa neoliberal. Beneficiária da atmosfera regressiva criada pela queda do Muro de Berlin e dissolução da União Soviética, no curso de uma ampla crise do socialismo e de um notável avanço do capital, ela sensibilizou o eleitorado brasileiro com suas propostas aparentemente inovadoras de privatizações, Estado mínimo e outros quejandos.

E indicou para representá-la um egresso da esquerda, o então senador Fernando Henrique Cardoso, que cumpriu dois mandatos presidenciais. Digamos assim: a direita estava com tudo.

Mas o modelo neoliberal sofreu reveses decisivos no Brasil e no mundo. A partir de 2003 o Governo Lula inaugurou um novo modelo que, a despeito de equívocos e limitações, confrontou-se com o receituário neoliberal, vitaminou o crescimento econômico com justiça social e soberania nacional e, assim, ganhou a alma da maioria dos brasileiros. A Presidente Dilma se elegeu no bojo desse movimento para a esquerda. E a direita ficou sem programa e, portanto, órfã de propostas para o Brasil. Nos últimos anos, amparada em seu vasto poderio midiático, restou-lhe atacar o governo a partir do velho cantochão do moralismo e de pontos isolados que estão longe de se constituírem uma alternativa à plataforma da esquerda. 

Mas isto não basta para a direita vislumbrar alguma perspectiva, que não a derrota, nas eleições de 201. Assim, procura construir ou ajudar a construir cenários adicionais que, mesmo indiretamente, a favoreçam. Um desses cenários é o da fragmentação do quadro partidário e de alianças eleitorais, na esperança de evitar a vitória da Presidente Dilma já no primeiro turno, como apontam as pesquisas. Daí a grande mídia privada e mesmo próceres da direita saudarem o lançamento, no dia 16 de fevereiro, em Brasília, do partido da ex-senadora Marina Silva, a tal Rede Sustentabilidade, ou simplesmente Rede.

Marina não dispõe mais dos 20 milhões de votos que auferiu em 2010 em circunstâncias políticas irrepetíveis. Mas seu capital eleitoral – ali pelos 9%, segundo estimam pesquisas atuais – ainda é respeitável. A direita conta com eles para tentar impedir a vitória de Dilma já no primeiro turno. E se esforça para isso, inclusive oferecendo quadros ao novo partido. O deputado federal paulista Walter Feldman, por exemplo, um tucano histórico e sempre muito bem votado, é apontado como um dos fundadores da agremiação de Marina. Claro que não será fácil amealhar, até outubro, as 500 mil adesões necessárias para legalizar o partido, mas a direita certamente vai ajudar.

Mas o partido da ex-senadora pelo Acre, além dos serviços que prestará à direita, ainda que indiretamente, contém singularidades que não passaram desapercebidas. A primeira, nas palavras da própria Marina: “Estamos na época ao paradoxo, nem situação, nem oposição a Dilma. Precisamos de posição”. Nem oposição, nem situação, mas posição? O que é isso? Parece tiradinha de publicitário. E mais: “Nem direita, nem esquerda. Estamos à frente”. Mas onde está o partido, em que galáxia? Isso me cheira à senha para o oportunismo, pois numa agremiação que assim se define, cabe todo mundo. Também a afirmação de Marina de que o Rede vai romper com “a lógica de partidos a serviços de pessoas” soa como embuste. Não está a serviço de pessoas, mas só ela é quem aparece.

Não vai o partido de Marina aceitar contribuições de empresas de cigarro, armas, agrotóxicas e bebidas alcoólicas. Mas nada fala a respeito das doações de bancos e empreiteiras. Uns, como o deputado Walter Feldman, falam que a agremiação só aceitará dirigentes e candidatos com ficha limpa, regra que não vale para filiados em geral. Outros, como um dos fundadores, João Paulo Capobianco, asseguram que a legenda vai “coibir a entrada de ficha suja”. Ingressa ficha suja ou não? A confusão está precocemente formada, o que não soa estranho a um partido que não possui carta programática, no qual metade dos filiados poderá ter a opinião que desejar, à margem das orientações partidárias.

Tais orientações foram coletadas entre os primeiros aderentes. No evento de lançamento, em Brasília, os participantes – alguns deles se denominam “sonháticos” – relataram sonhos ao microfone ou por escrito. Como notou, em artigo recente, o biólogo e professor Pedro Luiz Teixeira de Camargo, “as ideias eram as mais divergentes possíveis, passando pelo mote ‘mais Joaquim Barbosa, por favor’, até a palavra mágica “amor”. Para ele, “a partir do momento em que metade dos filiados não precisa seguir um programa partidário, busca-se o enfraquecimento dos partidos políticos”. E aí está um ponto crucial nessa iniciativa, a primeira que busca desclassificar a instituição partido como instrumento primordial da política. Diz Marina: . “Estamos num processo de desconstrução de que o partido tem monopólio da política, queremos quebrar isso”. É a ação declarada contra os partidos, a tentativa de despolitização da sociedade. 

Em seu oportuno artigo, Pedro Luiz Teixeira de Camargo conclui: 

“É fundamental mostrar a toda a sociedade a verdadeira faceta de Marina Silva e de sua Rede: servir de legenda para deputados insatisfeitos em seus partidos, garantir um partido para a realização pessoal da ex-senadora e, principalmente: servir de sublegenda para a direita neoliberal. Desgastada devido aos bons governos de Lula e Dilma, a direita tradicional precisa se repaginar, e nada melhor que usar uma ex-militante de esquerda, ainda mais se puderem pintar o tucano de verde, que pode deixar de ser a cor da esperança para passar a ser a cor da preocupação”.

Gelatinoso como é, o partido da ex-senadora mereceu definição antológica do jornalista Cláudio Gonzalez: “Não é um partido, é uma ONG que receberá dinheiro do fundo partidário”. Ou, como afirmou o impagável José Simão, dia desses: a Rede de Marina “é o PSD que não come carne”.

 

* Jornalista e escritor em Curitiba, representa no Paraná a Fundação Maurício Grabois e é autor de “As moças de Minas”, “Memória de Neblina”, “Sonhos, utopias e armas” e “Vidas, veredas: paixão”.

 

http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=5133&id_coluna=66

13º Congresso deverá analisar e apontar perspectivas para o país

 

Nesta sexta-feira (22), em reunião da Comissão Política do Partido Comunista do Brasil, o aniversariante do dia, presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, fez sua intervenção tendo como tema central o 13º Congresso do Partido.

 

 

 

Renato Rabelo: O 13º Congresso Nacional do PCdoB deverá apontar perspectivas para o Brasil

A Comissão Política Nacional do PCdoB reuniu-se na sede do Partido em São Paulo, tendo como pauta a preparação do 13º Congresso nacional do Partido que se realizará em novembro deste ano, na capital paulista. De acordo com o presidente, Renato Rabelo, o temário do Congresso será definido pelo Comitê Central, em reunião, no final de março deste ano.

Ao fazer a abertura da discussão, Renato proferiu que “2013 é um ano-chave que concentra fatores externos e internos definidores de tendências e perspectivas tendo em vista as eleições gerais de 2014”. Para ele, o Congresso do PCdoB deverá se basear em dois principais temas, o primeiro seria um balanço destes últimos quatro anos e uma atualização da perspectiva do Partido para o Brasil. O segundo tema indicado por Renato seria um balanço do curso geopolítico e da situação da crise sistêmica desde o 12º Congresso (2009) até a situação atual. “Devemos debater sobre essa crise que se alonga e que se acentua”.

Para fazer esta avaliação, Rabelo afirmou que é fundamental também analisar os 10 anos de governos progressistas, populares e democráticos, iniciado em 2003, com a vitória de Lula e com a eleição da presidenta Dilma Rousseff. Parafraseando Dilma, Renato apontou: “Nós brasileiros sabemos qual a melhor década da nossa história recente”.

Com isso, o dirigente nacional confirmou que a conquista política maior desta década é a ascensão das forças democráticas, progressistas e de esquerda ao centro do poder nacional, contando com crescente apoio popular e a continuidade da ação com a eleição da primeira mulher à presidência da República, comprometida com o avanço desse projeto.

Oposição – críticas recorrentes

A conjunção desses fatores neste ano – disse Renato, em contraste com a ausência de alternativa viável e de derrotas eleitorais da oposição – vem acirrando o processo político, com a aproximação do grande embate político-eleitoral de 2014.

O presidente lembrou que “a oposição só enxerga erros e fracassos e por isso devemos fazer o enfrentamento na luta de massas e na luta de ideias. A oposição no seu ‘braço político’, demonstra desespero, desnorteada, ainda tentando seu caminho. Seu ideólogo maior, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso desespera-se com a comparação do período atual com o seu tempo de governo, dizendo pra que comparar se já ocorreu ‘há muito tempo’. Isso é ‘picuinha’, é ‘coisa de criança’. Como é isso? Questiona Renato, se o processo analítico deve ser feito”.

Da mesma maneira, prosseguiu o presidente nacional, o senador Aécio (PSDB-MG), mesmo com todo destaque da grande mídia, faz uma critica de clichê, requentada, sem indicar nenhuma alternativa. Em verdade aflige a própria oposição porque não demonstra estatura para a disputa presidencial.

Contudo, Renato constata que o PCdoB deve se empenhar pela unidade da base aliada, em torno da reeleição da presidenta Dilma, tendo como referencia um Projeto de nova arrancada no rumo de maiores conquistas para o povo e a Nação.

Plano econômico

Renato confia que o desempenho da economia pode se transformar em tema central do debate eleitoral de 2014. Para ele, a economia brasileira se desenvolve ao meio à crise do capitalismo central, que se manifesta agora mais agudamente na Europa, em recessão. “A retomada da economia dos EUA é extremamente frágil. Por isso, a crise contribuiu para que as economias dos países periféricos, assim chamados, passassem a crescer a taxas menores”. A China cresceu 7,8% em 2012; o PIB da Rússia cresceu a 3,4% em 2012; a Índia em 2012, crescendo a 5%.

O dirigente pondera que no caso brasileiro, as taxas recentes de crescimento do PIB têm sido bem menores que a média do período imediatamente anterior, ou seja, do período Lula. Em 2011, primeiro ano do governo Dilma, houve uma diminuição significativa do ritmo que ficou em 2,7%. Em 2012, um novo recuo para um índice que deve ficar em torno de 1,3%. 

Para a contenção da crise, pronunciou Renato, “o governo Dilma Rousseff tem adotado um receituário bastante amplo com o intuito de enfrentar os efeitos da crise e os problemas já existentes na economia do país. Pode-se dizer que a presidenta Dilma redirecionou boa parte da política macroeconômica. Medidas estas que merecem o apoio do PCdoB”.

Segundo a avaliação do presidente, entretanto, algumas medidas têm sido insuficientes para produzir uma nova arrancada de crescimento. E por isso, cresce entre as forças da base do governo, partidos políticos e intelectuais, a discussão sobre as saídas para que o país volte a crescer mais aceleradamente. Fala-se muito em aumentar o nível dos investimentos, particularmente em infraestrutura. Fala-se também, frequentemente, em retomar a industrialização. Há os que colocam em destaque os problemas de gestão. 

Para Renato, essa questão deve ser tratada no bojo de uma nova política macroeconômica. “Já é parte importante os avanços conquistados pelo governo, como a redução na taxa de juros, a melhoria na distribuição de renda, etc. Falta agora uma definição mais nítida que foque a questão na taxa de câmbio. Avaliação que, aliás, se assemelham às de Bresser Pereira e Delfim Netto”, disse ele.

De acordo com o presidente nacional, o PCdoB deve continuar insistindo “na retomada da industrialização, no aumento dos investimentos em infraestrutura, a diminuição dos juros básicos da economia como objetivos e na busca imediata de uma taxa de câmbio que possa impulsionar o crescimento e a industrialização”.

A taxa de desemprego do país ficou em 4,6% em dezembro e fechou o ano de 2012 em 5,5%, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados mostram que o índice anual é o mais baixo da série histórica iniciada em março de 2002. Antes disso, a taxa de 2011 havia sido a menor da série, ao ficar em 6%. Em um período de dez anos, de 2003 a 2012, as seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE teve redução de 48,7% no total de desempregados. O número de pessoas desocupadas caiu de 2,6 milhões para 1,3 milhão. O total de ocupados aumentou 24% em dez anos, com acréscimo de 4 milhões de postos de trabalho. Na média do ano, a população ocupada chegou a 23 milhões de pessoas.

Com base nisso, do ponto de vista econômico, ainda segundo Renato, “a retomada do desenvolvimento é importante e tem sido possível manter um nível de emprego,” finaliza.

 

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=206635&id_secao=1

 

OS ERROS HISTÓRICOS DO VOLUNTARISMO

Por Altamiro Borges* – Princípios 81 – 2005 – entenda porque a solidariedade da esquerdalha é com a direita

 
Além da similaridade na raivosa oposição ao governo Lula, o PSTU e o PSOL têm outro ponto de contato na leitura voluntarista que fazem sobre a atual correlação de forças no Brasil e no mundo.

Isto talvez se explique pela forte influência exercida em ambos partidos das concepções do trotskista argentino Nahuel Moreno, fundador da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT). Para a chamada corrente “morenista”, que parece sofrer do mal crônico do “otimismo voluntarista”, segundo corrosiva ironia de uma importante seção que rompeu com a LIT nos anos 1990 , a revolução socialista estaria sempre à espreita na próxima esquina. O menor sinal de resistência popular é encarado como um “vírus revolucionário” .

Essa visão idealista — que coloca a vontade acima da realidade concreta —, parece derivar da leitura mecânica da obra mais famosa de Leon Trostky, Programa de Transição, base para a criação da IV Internacional em 1938. Neste texto, seguido como bíblia pela “ortodoxia trotskista”, o autor é taxativo: “Os falatórios de toda espécie, segundo os quais as condições históricas não estariam ‘maduras’ para o socialismo, são apenas produto da ignorância ou de um engano consciente. As premissas objetivas da revolução proletária não estão somente maduras: elas começam a apodrecer… Tudo depende, antes de mais nada, da sua vanguarda revolucionária. A crise histórica da humanidade se reduz à crise da direção revolucionária”.

Um balanço mais detido da trajetória da LIT, matriz do PSTU e de vários grupos do PSOL, deveria servis para tirar férteis lições de suas trágicas experiências. O “otimismo voluntarista” já conduziu esta corrente mundial a diversos becos sem saída, a graves erros políticos. Alguns casos são emblemáticos. Eles só confirmam que a avaliação incorreta da real correlação de forças pode resultar em graves derrotas e duros revezes para o movimento operário. Como ensina Vladimir Lênin, o segredo da tática revolucionária é a análise concreta da realidade concreta. É ilustrativo lembrar alguns desses episódios.

Trágicas experiências

Um que ficou famoso, gerando irônicos comentários na esquerda mundial, se deu na Nicarágua em 1979. Em pleno processo revolucionário nesta nação centro-americana, a corrente morenista decidiu organizar a Brigada Simon Bolívar e enviar militantes de vários países para a guerrilha contra a ditadura de Somoza. Após a vitória da revolução sandinista, entretanto, esta brigada passou a fazer oposição aberta ao novo governo de reconstrução nacional, taxando-o de “burguês e pró-imperialista”. Acusando o grupo de “provocador trotskista” e de fazer o jogo da reação e do imperialismo, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) decidiu, em agosto de 1979, expulsar os seus membros não nicaragüenses do país. 

O Secretariado Unificado da IV Internacional — que na época ainda conseguia reunir o grosso das correntes trotskistas — enviou então uma delegação a Manágua para averiguar o caso. Esta declara, em 3 de setembro, que “todas as atividades que busquem hoje em dia criar divisões das massas mobilizadas e a FSLN são contrárias aos interesses da revolução. Este é o caso, em especial, da Brigada Simon Bolívar. Numa situação política e econômica que exigi a maior unidade na luta possível, a FSLN teve razão em exigir que os membros não nicaragüenses saíssem do país” (Intercontinental Press, 24 de setembro de 1979). O deprimente episódio ocasionou mais uma fratricida divisão no trotskismo mundial. 

Outro momento dramático na história da LIT — e das esquerdas em geral — se deu com a desintegração da URSS e do bloco soviético, a partir do final dos anos 1980. Na clássica tese trotskista, estes regimes seriam “Estados operários degenerados “, que demandariam “revoluções políticas” para retomar o curso socialista. Moreno, porém, tratou de “atualizar o Programa de Transição”, prevendo duas etapas nesta estratégia: a “revolução de fevereiro”, democrática, seguida da “revolução de outubro”, socialista. Com este esquema unilateral, que não levava em conta o complexo jogo de interesses no Leste Europeu, a LIT e suas filiais saudaram, eufóricas, os tristes episódios que resultaram na restauração da barbárie capitalista na região.

Em 1990, após seu III Congresso, a LIT esbanjava otimismo. “Do mesmo modo que os últimos meses significaram uma virada histórica para a humanidade, eles foram para a LIT o salto para ganhar influência em setores de massas (…) O trotskismo está vivo porque a revolução mundial matou o stalinismo e colocou em marcha a gloriosa luta de massas (…) Está se abrindo a hora do socialismo com democracia” (Correio Internacional, julho de 1990). Tamanho erro de cálculo custou caro. Como repisa uma seita rival “antes da destruição dos estados operários, o morenismo apoiou todos os movimentos que serviram de ponta de lança do imperialismo contra a URSS, como a reacionária guerrilha islâmica impulsionada pela CIA no Afeganistão (…) Na Polônia, reivindicou um governo de Lech Walessa e ‘todo poder ao Solidariedade’” 

Mais recentemente, esta corrente entrou novamente em parafuso com os rápidos e turbulentos da Venezuela. Seus seguidores se fragmentaram em vários pedaços. A maior referência do “morenismo” neste país, o ex-deputado constituinte Alberto Franceschi, é hoje um dos principais porta-vozes da direita; foi um dos líderes da tentativa frustrada de golpe em abril de 2002; tornou-se um próspero produtor agrícola e um poderoso empresário do ramo de transporte. Na década de 1980, como líder do MIR da Venezuela, Franceschi foi peça-chave na fundação da LIT e, junto com Nahuel Moreno, escreveu as “Teses sobre guerrilheirismo” (1986), um texto de polêmica com os revolucionários cubanos.

Já o seu sucessor na internacional “morenista”, o Partido Socialista dos Trabalhadores (PST), esbarrou no sectarismo da LIT. Isto porque apóia o governo Hugo Chávez, mesmo mantendo a linha das “denúncias e exigências”, outra invenção de Moreno. Esta postura gerou a ira de várias seitas trotskistas. “A posição do PST é tão vergonhosa que seu próprio partido-irmão, o PSTU, denunciou que ‘o conjunto da esquerda apoiou Chávez (…) e o fez sem denunciar o caráter populista e demagógico de seu programa’” . Devido a essas fraturas, a LIT sucumbiu no país. Em documento recente, garante que Chávez “quer negociar com a esquerda e o imperialismo” e que “hoje não existe na Venezuela uma organização nacional no campo do proletariado com uma política revolucionária e classista, em oposição ao governo pela esquerda” .

Equívocos grosseiros

Outro trauma desta corrente provém da Argentina. Neste caso, a ferida é profunda e nunca cicatrizou. Afinal, o “morenismo” nasceu nesse país. Nele, teve início da militância de Hugo Miguel Bressano como assessor do Sindicato dos Têxteis (AOT) e dos Trabalhadores em Frigoríficos Anglo-Ciabasa. Convertido ao trotskismo nos anos 1940, ele se projetaria com o nome de Nahuel Moreno. Sua militância foi marcada por vários ziguezagues, tanto que muitos o taxam de “camaleão político” . Na sua trajetória, ele organizou vários partidos e foi construtor do influente Movimento ao Socialismo (MAS).
Impregnado até a medula do “otimismo voluntarista”, Moreno tentou várias vezes apressar artificialmente os fatos políticos, desprezando a correlação de forças. Com o fim da ditadura e a vitória de Raul Alfosin, profetizou o imediato trânsito ao socialismo. “Estão dados todos os elementos para que triunfe a “revolução de Outubro”, afirmou. Os equívocos aventureiros acabaram por implodir o MAS, o “partido-mãe” da LIT. Hoje a corrente “morenista” está reduzida a frangalhos, tendo a minúscula Frente Operária e Socialista (FOS) como filiada da LIT e quase uma dezena de seitas trotskistas. 

Apesar disso, ela permanece com sua cegueira voluntarista. Após a revolta popular de 2001-02, ela concluiu: “Em nosso país se iniciou uma verdadeira revolução (…) que deixou em ruína o regime democrático-burguês” .

Por último, neste breve balanço dos grosseiros erros da corrente “morenista”, uma pitada de Cuba. Após um rápido namoro com a revolução cubana, Nahuel Moreno passou a tratar a “ditadura de Fidel Castro” como um feroz inimigo. Resoluções da LIT recomendavam incentivar a “revolução política” no país. Um renomado trotskista brasileiro chegou a dizer que “apoiaremos uma revolução que consideramos iminente contra o regime burocrático de Fidel (…) Achamos que é necessário lutar contra o partido Comunista” . Agora, quando os EUA conspiram frebilmente contra a ilha, a LIT volta à tona com seus devaneios.

Mesmo com o governo cubano reconhecendo que faz concessões para manter as conquistas da revolução, ela insiste em desconhecer a correlação de forças. Enquanto a maioria da esquerda reafirma o seu apoio à ilha, a LIT condena suas recentes decisões judiciais. “As medidas repressivas do regime cubano merecem o repúdio, porque não são mais que medidas dirigidas a amordaçar os trabalhadores e o povo, enquanto as medidas econômicas abrem as portas do país ao imperialismo europeu (…) Devemos dizer claramente que os socialistas não se confundem com o regime repressivo de Castro” . Aplausos de George W. Bush! 

Jean Philippe Dives. “Elementos para balanço da LIT e do morenismo”. Documentos do MAS.
Joaquim Soriano. “O novo curso da Convergência Socialista”, Em Tempo, julho/agosto de 1990.
Osvaldo Coggiola. O trotskismo na América Latina. Brasiliense, São Paulo, 1984.
“Fim da URSS, divisão da LIT e o legado de Moreno”. Liga Bolchevique Internacionalista (LBI).
“A esquerda venezuelana é um apêndice do chavismo”. Boletim da Corrente Bolchevique pela Quarta Internacional (CBQI).

Américo Gomes. “Venezuela: revolução na encruzilhada”. Marxismo Vivo, dezembro de 2002.
Osvaldo Coggiola. Trotsky ontem e hoje. Oficina de Livros, Belo Horizonte, 1990.
Alejandro Iturbe. “Estalló la revolución”. Correo Internacional, n. 93, janeiro de 2002.
Ricardo de Azevedo. “Qual é a tua, Convergência?”. Revista Teoria e Política, abril de 1990.
“Por que estamos contra os recentes fuzilamentos em Cuba”. Correo Internacional, junho de 2003. 

EDIÇÃO 81, OUT/NOV, 2005, PÁGINAS 44, 45

OS ERROS HISTÓRICOS DO VOLUNTARISMO

Por Altamiro Borges* – Princípios 81 – 2005 – entenda porque a solidariedade da esquerdalha é com a direita

 
Além da similaridade na raivosa oposição ao governo Lula, o PSTU e o PSOL têm outro ponto de contato na leitura voluntarista que fazem sobre a atual correlação de forças no Brasil e no mundo.

Isto talvez se explique pela forte influência exercida em ambos partidos das concepções do trotskista argentino Nahuel Moreno, fundador da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT). Para a chamada corrente “morenista”, que parece sofrer do mal crônico do “otimismo voluntarista”, segundo corrosiva ironia de uma importante seção que rompeu com a LIT nos anos 1990 , a revolução socialista estaria sempre à espreita na próxima esquina. O menor sinal de resistência popular é encarado como um “vírus revolucionário” .

Essa visão idealista — que coloca a vontade acima da realidade concreta —, parece derivar da leitura mecânica da obra mais famosa de Leon Trostky, Programa de Transição, base para a criação da IV Internacional em 1938. Neste texto, seguido como bíblia pela “ortodoxia trotskista”, o autor é taxativo: “Os falatórios de toda espécie, segundo os quais as condições históricas não estariam ‘maduras’ para o socialismo, são apenas produto da ignorância ou de um engano consciente. As premissas objetivas da revolução proletária não estão somente maduras: elas começam a apodrecer… Tudo depende, antes de mais nada, da sua vanguarda revolucionária. A crise histórica da humanidade se reduz à crise da direção revolucionária”.

Um balanço mais detido da trajetória da LIT, matriz do PSTU e de vários grupos do PSOL, deveria servis para tirar férteis lições de suas trágicas experiências. O “otimismo voluntarista” já conduziu esta corrente mundial a diversos becos sem saída, a graves erros políticos. Alguns casos são emblemáticos. Eles só confirmam que a avaliação incorreta da real correlação de forças pode resultar em graves derrotas e duros revezes para o movimento operário. Como ensina Vladimir Lênin, o segredo da tática revolucionária é a análise concreta da realidade concreta. É ilustrativo lembrar alguns desses episódios.

Trágicas experiências

Um que ficou famoso, gerando irônicos comentários na esquerda mundial, se deu na Nicarágua em 1979. Em pleno processo revolucionário nesta nação centro-americana, a corrente morenista decidiu organizar a Brigada Simon Bolívar e enviar militantes de vários países para a guerrilha contra a ditadura de Somoza. Após a vitória da revolução sandinista, entretanto, esta brigada passou a fazer oposição aberta ao novo governo de reconstrução nacional, taxando-o de “burguês e pró-imperialista”. Acusando o grupo de “provocador trotskista” e de fazer o jogo da reação e do imperialismo, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) decidiu, em agosto de 1979, expulsar os seus membros não nicaragüenses do país. 

O Secretariado Unificado da IV Internacional — que na época ainda conseguia reunir o grosso das correntes trotskistas — enviou então uma delegação a Manágua para averiguar o caso. Esta declara, em 3 de setembro, que “todas as atividades que busquem hoje em dia criar divisões das massas mobilizadas e a FSLN são contrárias aos interesses da revolução. Este é o caso, em especial, da Brigada Simon Bolívar. Numa situação política e econômica que exigi a maior unidade na luta possível, a FSLN teve razão em exigir que os membros não nicaragüenses saíssem do país” (Intercontinental Press, 24 de setembro de 1979). O deprimente episódio ocasionou mais uma fratricida divisão no trotskismo mundial. 

Outro momento dramático na história da LIT — e das esquerdas em geral — se deu com a desintegração da URSS e do bloco soviético, a partir do final dos anos 1980. Na clássica tese trotskista, estes regimes seriam “Estados operários degenerados “, que demandariam “revoluções políticas” para retomar o curso socialista. Moreno, porém, tratou de “atualizar o Programa de Transição”, prevendo duas etapas nesta estratégia: a “revolução de fevereiro”, democrática, seguida da “revolução de outubro”, socialista. Com este esquema unilateral, que não levava em conta o complexo jogo de interesses no Leste Europeu, a LIT e suas filiais saudaram, eufóricas, os tristes episódios que resultaram na restauração da barbárie capitalista na região.

Em 1990, após seu III Congresso, a LIT esbanjava otimismo. “Do mesmo modo que os últimos meses significaram uma virada histórica para a humanidade, eles foram para a LIT o salto para ganhar influência em setores de massas (…) O trotskismo está vivo porque a revolução mundial matou o stalinismo e colocou em marcha a gloriosa luta de massas (…) Está se abrindo a hora do socialismo com democracia” (Correio Internacional, julho de 1990). Tamanho erro de cálculo custou caro. Como repisa uma seita rival “antes da destruição dos estados operários, o morenismo apoiou todos os movimentos que serviram de ponta de lança do imperialismo contra a URSS, como a reacionária guerrilha islâmica impulsionada pela CIA no Afeganistão (…) Na Polônia, reivindicou um governo de Lech Walessa e ‘todo poder ao Solidariedade’” 

Mais recentemente, esta corrente entrou novamente em parafuso com os rápidos e turbulentos da Venezuela. Seus seguidores se fragmentaram em vários pedaços. A maior referência do “morenismo” neste país, o ex-deputado constituinte Alberto Franceschi, é hoje um dos principais porta-vozes da direita; foi um dos líderes da tentativa frustrada de golpe em abril de 2002; tornou-se um próspero produtor agrícola e um poderoso empresário do ramo de transporte. Na década de 1980, como líder do MIR da Venezuela, Franceschi foi peça-chave na fundação da LIT e, junto com Nahuel Moreno, escreveu as “Teses sobre guerrilheirismo” (1986), um texto de polêmica com os revolucionários cubanos.

Já o seu sucessor na internacional “morenista”, o Partido Socialista dos Trabalhadores (PST), esbarrou no sectarismo da LIT. Isto porque apóia o governo Hugo Chávez, mesmo mantendo a linha das “denúncias e exigências”, outra invenção de Moreno. Esta postura gerou a ira de várias seitas trotskistas. “A posição do PST é tão vergonhosa que seu próprio partido-irmão, o PSTU, denunciou que ‘o conjunto da esquerda apoiou Chávez (…) e o fez sem denunciar o caráter populista e demagógico de seu programa’” . Devido a essas fraturas, a LIT sucumbiu no país. Em documento recente, garante que Chávez “quer negociar com a esquerda e o imperialismo” e que “hoje não existe na Venezuela uma organização nacional no campo do proletariado com uma política revolucionária e classista, em oposição ao governo pela esquerda” .

Equívocos grosseiros

Outro trauma desta corrente provém da Argentina. Neste caso, a ferida é profunda e nunca cicatrizou. Afinal, o “morenismo” nasceu nesse país. Nele, teve início da militância de Hugo Miguel Bressano como assessor do Sindicato dos Têxteis (AOT) e dos Trabalhadores em Frigoríficos Anglo-Ciabasa. Convertido ao trotskismo nos anos 1940, ele se projetaria com o nome de Nahuel Moreno. Sua militância foi marcada por vários ziguezagues, tanto que muitos o taxam de “camaleão político” . Na sua trajetória, ele organizou vários partidos e foi construtor do influente Movimento ao Socialismo (MAS).
Impregnado até a medula do “otimismo voluntarista”, Moreno tentou várias vezes apressar artificialmente os fatos políticos, desprezando a correlação de forças. Com o fim da ditadura e a vitória de Raul Alfosin, profetizou o imediato trânsito ao socialismo. “Estão dados todos os elementos para que triunfe a “revolução de Outubro”, afirmou. Os equívocos aventureiros acabaram por implodir o MAS, o “partido-mãe” da LIT. Hoje a corrente “morenista” está reduzida a frangalhos, tendo a minúscula Frente Operária e Socialista (FOS) como filiada da LIT e quase uma dezena de seitas trotskistas. 

Apesar disso, ela permanece com sua cegueira voluntarista. Após a revolta popular de 2001-02, ela concluiu: “Em nosso país se iniciou uma verdadeira revolução (…) que deixou em ruína o regime democrático-burguês” .

Por último, neste breve balanço dos grosseiros erros da corrente “morenista”, uma pitada de Cuba. Após um rápido namoro com a revolução cubana, Nahuel Moreno passou a tratar a “ditadura de Fidel Castro” como um feroz inimigo. Resoluções da LIT recomendavam incentivar a “revolução política” no país. Um renomado trotskista brasileiro chegou a dizer que “apoiaremos uma revolução que consideramos iminente contra o regime burocrático de Fidel (…) Achamos que é necessário lutar contra o partido Comunista” . Agora, quando os EUA conspiram frebilmente contra a ilha, a LIT volta à tona com seus devaneios.

Mesmo com o governo cubano reconhecendo que faz concessões para manter as conquistas da revolução, ela insiste em desconhecer a correlação de forças. Enquanto a maioria da esquerda reafirma o seu apoio à ilha, a LIT condena suas recentes decisões judiciais. “As medidas repressivas do regime cubano merecem o repúdio, porque não são mais que medidas dirigidas a amordaçar os trabalhadores e o povo, enquanto as medidas econômicas abrem as portas do país ao imperialismo europeu (…) Devemos dizer claramente que os socialistas não se confundem com o regime repressivo de Castro” . Aplausos de George W. Bush! 

Jean Philippe Dives. “Elementos para balanço da LIT e do morenismo”. Documentos do MAS.
Joaquim Soriano. “O novo curso da Convergência Socialista”, Em Tempo, julho/agosto de 1990.
Osvaldo Coggiola. O trotskismo na América Latina. Brasiliense, São Paulo, 1984.
“Fim da URSS, divisão da LIT e o legado de Moreno”. Liga Bolchevique Internacionalista (LBI).
“A esquerda venezuelana é um apêndice do chavismo”. Boletim da Corrente Bolchevique pela Quarta Internacional (CBQI).

Américo Gomes. “Venezuela: revolução na encruzilhada”. Marxismo Vivo, dezembro de 2002.
Osvaldo Coggiola. Trotsky ontem e hoje. Oficina de Livros, Belo Horizonte, 1990.
Alejandro Iturbe. “Estalló la revolución”. Correo Internacional, n. 93, janeiro de 2002.
Ricardo de Azevedo. “Qual é a tua, Convergência?”. Revista Teoria e Política, abril de 1990.
“Por que estamos contra os recentes fuzilamentos em Cuba”. Correo Internacional, junho de 2003. 

EDIÇÃO 81, OUT/NOV, 2005, PÁGINAS 44, 45

O trotskismo, corrente política contra-revolucionária – João Amazonas (1984)

João Amazonas, na revista Princípios, edição de maio de 1984

O trotsquismo continua a exalar miasmas no ambiente da luta social e política. Em toda parte onde cresce o movimento revolucionário, aí aparecem os trotskistas para confundir, diversionar, enganar as massas. Difundindo teses sectárias, intitulando-se falsamente de marxistas e até de leninistas, fazem o jogo da reação e do imperialismo. Seu alvo predileto de ataque é o partido do proletariado baseado na doutrina de Marx, Engels, Lênin e Stalin. Embora divididos em diversos agrupamentos, sua tática pouco varia. Apóiam-se nas teorias fracassadas de Leon Trotsky.

 

Ainda que não representem grande coisa como organização, influenciam certos setores do movimento popular, notadamente os de origem pequeno-burguesa. No passado, tinham sido amplamente desmascarados, mas as novas gerações de combatentes da causa socialista desconhecem a trajetória e os verdadeiros objetivos do trotskismo. Vale a pena recordá-los e atualizá-los a fim de ajudar as massas na luta por sua completa libertação.

TEÓRICO MALOGRADO

O trotskismo desenvolveu-se no seio do movimento operário russo nas três primeiras décadas do nosso século. Está intimamente ligado com a atuação de Leon Trotsky, intelectual pretensioso que jamais conseguiu assimilar os ensinamentos científicos do marxismo. Desde a criação dos primeiros círculos revolucionários na Rússia para combater o czarismo e organizar o partido da classe operária, Trotsky manifestou suas tendências individualistas, pequeno-burguesas, procurando ocupar de qualquer maneira as posições de chefia do movimento proletário. Na história do bolchevismo, fundado e orientado por Vladimir Ilitch Lênin, que levou a revolução à vitória em 1917, Trotsky aparece meteoricamente, em fuga constante do esforço comum para forjar aquele partido. Suas teorias, se se pode assim denominar esse amontoado de incoerências, são ecléticas e metafísicas. O conteúdo de classe é pequeno-burguês. Uma das principais teses de Trotsky é a da chamada revolução permanente, elaborada em 1906 e retocada várias vezes. Aí ele nega as etapas da revolução e a construção do socialismo num só país, introduz o aventurismo no plano da revolução mundial. Os marxistas-leninistas consideram a revolução em todo o mundo como um processo de lutas radicalizadas que se desenvolvem em níveis diversos e em distintos países, nos cinco continentes.

 

Antes da fase monopolista do capitalismo, Marx e Engels afirmavam que a transformação revolucionária da sociedade somente seria possível se realizada simultaneamente nos centros mais avançados. Essa opinião, entretanto, tornou-se antiquada na vigência do sistema imperialista, época em que o desenvolvimento desigual do capitalismo, as contradições geradas por esse sistema possibilitavam que a revolução proletária pudesse surgir em alguns países, ou mesmo num único, criando condições favoráveis ao seu desdobramento onde fosse mais débil o elo da cadeia imperialista. Foi Lênin, em 1915, quem chegou a essa genial conclusão de enorme significação para o movimento operário internacional. Trotsky sustentava ponto de vista contrário.

“Sem um apoio estatal direto do proletariado europeu (o grifo é nosso), a classe operária da Rússia não poderá manter-se no poder e transformar sua dominação temporária numa ditadura socialista duradoura. Disto não se pode duvidar um só instante” (Leon Trotsky, Nossa Revolução, 1906). Mesmo depois da vitória da Revolução de Outubro na Rússia, ele escrevia:

“Enquanto nos demais Estados europeus se mantenha no poder a burguesia, nos veremos obrigados, na luta contra o isolamento econômico, a buscar acordos com o mundo capitalista; ao mesmo tempo pode-se afirmar com toda certeza que esses acordos podem, no melhor dos casos, ajudar-nos a cicatrizar uma ou outra ferida econômica, a dar um ou outro passo adiante, porém, o verdadeiro auge da economia socialista na Rússia não será possível senão depois da vitória do proletariado nos países mais importantes da Europa” (“Epílogo da nova edição do folheto O Programa da Paz”, Leon Trotsky, 1922).

 

Semeava desta forma o pessimismo, a falta de fé na obra da revolução que, afinal, sem o apoio estatal do proletariado europeu e sem o concurso do mundo capitalista, foi capaz de desenvolver largamente a economia socialista, criar uma nova vida, e alcançar na guerra contra o hitlerismo o triunfo mundial dos povos sobre o fascismo.

 

A tese trotskista da revolução permanente desconhecia o papel do campesinato como força aliada do proletariado para construir o socialismo. Julgava que a revolução

 

“entraria em choques hostis, não só com todos os grupos burgueses que apoiaram o proletariado nos primeiros momentos de sua luta revolucionária, mas também com as vastas massas camponesas com a ajuda das quais chegou ao poder. As contradições na situação do governo operário num país atrasado, no qual a maioria esmagadora da população é composta de camponeses, só poderão ser solucionadas no plano internacional, no terreno da revolução mundial do proletariado (os grifos são nossos)

(Prefácio do livro 1905, Leon Trotsky, escrito em 1922).

Trotsky não compreendia a ditadura do proletariado como

“uma forma especial de aliança de classe entre o proletariado, vanguarda dos trabalhadores, e as numerosas camadas de trabalhadores não-proletários, aliança dirigida contra o capital, cujo objetivo é a derrubada completa do capital, o esmagamento completo da resistência da burguesia e de suas tentativas de restauração, aliança que objetiva a instauração e a consolidação definitiva do socialismo” (V. I. Lênin, Obras Completas).

 

Tomada em seu aspecto mais geral, a questão camponesa inclui a união com o conjunto do campesinato numa primeira etapa da revolução (na Rússia como no Brasil), e a liquidação dos kulaks (camponeses ricos) na segunda etapa. O socialismo se constrói, como demonstra a experiência histórica, em aliança com as massas camponesas pobres que se convertem, após a coletivização da agricultura, num sólido ponto de apoio à construção da economia socialista.

 

Mas não apenas na subestimação do campo Trotsky comete erros. O mesmo raciocínio mecânico desenvolve em relação ao problema da libertação nacional dos povos oprimidos. Propagou a opinião de que estes somente poderiam libertar-se completamente com a vitória da revolução nas metrópoles imperialistas às quais estivessem subordinadas. Diz ele:

 

“Se se examinam a Grã-Bretanha e a Índia como duas variedades extremas do tipo capitalista, chega-se à conclusão de que o internacionalismo dos proletários ingleses e hindus baseia-se sobre a interdependência das condições, dos fins e dos métodos, e não sobre a sua identidade. Os sucessos do movimento de libertação da Índia impulsionam o movimento revolucionário na Inglaterra, e vice-versa. Uma sociedade socialista autônoma não pode ser construída nem na Índia nem na Inglaterra. Os dois países deverão fazer parte duma unidade mais elevada. É nisto, e somente nisto, que reside a base inquebrantável do internacionalismo marxista”. (Leon Trotsky, in A Revolução Permanente).

 

Essa “unidade mais elevada” traz implícita a idéia de que a revolução nos países coloniais ou semicoloniais é inseparável da vitória do movimento revolucionário nas metrópoles. Ou seja, o proletariado dos países oprimidos somente poderá alcançar sua verdadeira emancipação quando a revolução for também possível no país opressor, o que é um absurdo completo.

 

Sua concepção da luta revolucionária com relação aos países atrasados leva ao comprometimento destes com o capital financeiro internacional. Analisando o Plano de Seis Anos do governo de Cárdenas, no México, Trotsky proclamava a necessidade de que se abrissem as portas ao capital imperialista:

 

“Os autores do programa – dizia Trotsky – querem construir completamente o capitalismo de Estado, num período de seis anos. Mas uma coisa é nacionalizar as empresas existentes e, outra, criar novas empresas com meios limitados e num terreno virgem. A história conheceu um exemplo de indústria criada sob a supervisão do Estado: a URSS. Mas foi preciso uma revolução socialista. (…) No México não temos uma revolução socialista, o país é pobre. Nestas circunstâncias, seria quase um suicídio fechar as portas ao capital estrangeiro. Para construir o capitalismo de Estado, é preciso o capital” (Leon Trotsky, Análise do Plano de Seis Anos, 1939).

 

Quer dizer, como não havia uma revolução socialista no México, o jeito era construir o capitalismo de Estado com recursos do capital alienígena que, afinal, acabou submetendo o México, vizinho dos Estados Unidos, aos banqueiros norte-americanos.

 

Óbvio que a “teoria” da revolução permanente de Trotsky conduz, na realidade, à não-revolução em geral. Mesmo onde a revolução viesse a ocorrer, tenderia ao fracasso. Os explorados e oprimidos teriam de marcar passo à espera da revolução no mundo inteiro, pois só assim poderiam construir com êxito o socialismo. Tal a contextura teórica do trotskismo, uma simples amostra da fragilidade das idéias em que se apóia. No terreno teórico, Trotsky foi um fracasso total. E o pior: seu pensamento é mistificador, anti-revolucionário.


CONCEPÇÃO ESPONTANEÍSTA DE PARTIDO

Leon Trotsky jamais compreendeu a importância do partido do proletariado armado de uma teoria de vanguarda como o instrumento fundamental da revolução. Subestimou o fator consciente na dinâmica revolucionária. Polemizando com Lênin, afirmou:

 

“Ele (Lênin) ignora deliberadamente o fato de nós termos necessidade imperativa, não de raízes 'filosóficas' (que besteira, como se a invocação de não importa que seita não tivesse, de um ponto de vista 'filosófico', tais ou quais raízes profundas!), mas de raízes políticas reais, de um contato vivo com as massas, que nos permita a cada momento decisivo mobilizar essa massa em torno duma bandeira por ela reconhecida como sua” (Leon Trotsky in Nossas Tarefas Políticas).

 

Que besteira! exclama ele, aludindo a uma questão primordial, qual seja o papel do elemento consciente. No texto citado, este elemento ocupa o segundo plano, não tem maior significado. Tal idéia, aliás, vem sendo repetida no Brasil por dirigentes do Partido dos Trabalhadores, o PT (aqui, sim, se poderia dizer: que besteira!). A ideologia (as raízes filosóficas) não é devidamente considerada. O principal seria a ligação com as massas, empunhar as bandeiras por elas aceitas (note-se que, sem consciência socialista, as bandeiras reconhecidas pelas massas nunca chegarão a ser as da revolução proletária, mas as do reformismo, do economismo). Já no início do século, Lênin advertia que “sem teoria revolucionária não existe movimento revolucionário”. As raízes filosóficas não são tolices, ranço desprezível, mas o substrato mesmo da luta libertadora. Tais raízes não emanam do movimento espontâneo, advêm da ciência. Daí por que a característica essencial de um partido revolucionário não é propriamente a sua ligação com as massas, ainda que essa ligação seja indispensável, mas o conteúdo filosófico da doutrina que sustenta, no caso, o marxismo-leninismo. Qualquer partido populista será capaz de manter extensos vínculos com as massas e nem por isso pode ser considerado instrumento da revolução social.

 

Desdenhando a teoria na formação e no desenvolvimento do partido, Trotsky perde de vista a importância do fator subjetivo no processo revolucionário. Não é acidental que os trotskistas vejam em cada movimento mais combativo das massas, ou nas crises políticas, o imediato e automático surgimento da revolução. Para eles, a greve geral (que greve? em que circunstância?) põe em pauta a derrocada do poder político… a guerra por si mesma traz espontaneamente a revolução… O trotskismo toma de maneira esquemática um único aspecto da situação sem levar em conta o problema fundamental da direção consciente, o nível em que esta se encontra e o papel que desempenha no quadro político.

 

As concepções de Trotsky sobre o partido são liberais, social-democratas. Lênin enfatizou que o partido do proletariado, para cumprir sua missão, tem de ser monolítico, disciplinado, vanguarda organizada da classe operária. A experiência da Revolução Russa e da de outros países mostrou toda a justeza da teoria leninista de partido que é, por sua própria natureza, contrário à existência em seu seio de grupos e frações. Trotsky, desde o início de sua atividade, sempre atuou contrariando o princípio da unidade partidária. Ele mesmo confessa em A Revolução Permanente que sua posição no interior do partido tinha sido conciliadora. Admitia, entretanto, que isso fosse apenas um equívoco no terreno organizacional, quando na verdade era a linha da unidade sem princípios. Aliou-se todo o tempo com os mencheviques russos, com os liberais e os liquidacionistas, com os chamados otsovistas (oportunistas de esquerda) para lutar contra o Partido dos bolchevistas. No início da segunda década deste século, Lênin assim se manifestou sobre o papel de Trotsky :

 

“É claro que Trotsky e seus iguais, os trotskistas e conciliadores; são mais nocivos que qualquer liquidacionista, pois os liquidacionistas declarados expõem abertamente suas concepções sendo fácil aos operários constatar o seu caráter errôneo, enquanto os senhores Trotsky e companhia enganam os operários, encobrem o mal e tornam impossível desmascará-lo e remediá-lo. Quem quer que apóie o grupelho de Trotsky sustenta uma política de mentira e de engodo dos operários, uma política de proteção da corrente liquidacionista” (V. I. Lênin, setembro de 1911).

 

Trotsky foi ferrenho adversário do autêntico partido proletário, da organização de vanguarda, marxista-leninista, um defensor do pluralismo ideológico no seio do partido. Nunca se integrou plenamente em suas fileiras. Somente em agosto de 1917, no VI Congresso dos bolcheviques, retornou ao Partido, dois meses antes da Revolução de Outubro. Então fazia parte de um grupo que incluía trotskistas, mencheviques e alguns bolcheviques transviados. No Partido, voltou à sua antiga prática fracionista.

TROTSKY NUNCA FOI LENINISTA

Os adeptos do trotskismo tentam cinicamente apresentar Leon Trotsky como companheiro de Lênin, como leninista; suas discordâncias teriam sido unicamente com Stalin. Não têm pudor de falar em Partido de Lênin e Trotsky, de se dizerem propagadores e continuadores do bolchevismo. Procedem desse modo para confundir os operários e as massas populares que admiram Lênin, para esconder sua real catadura contra-revolucionária.

 

O trotskismo sempre foi uma corrente hostil ao bolchevismo. Trotsky não só se manteve em constante oposição a Lênin como o atacou inúmeras vezes. Numa carta dirigida a Chjeidze, em 1913, logo depois da Conferência de Praga que reestruturou o Partido duramente golpeado pelos liquidacionistas, ele escrevia:

 

“Todo o edifício do leninismo baseia-se hoje em dia na mentira e na falsificação e leva em si o princípio venenoso de sua própria decomposição”.

 

Assim Trotsky considerava todo o imenso cabedal teórico da obra gigantesca do continuador de Marx e Engels. Em decomposição, na verdade, estava o trotskismo, esse fruto podre do movimento operário.

 

V. I. Lênin, em diversas oportunidades, traçou o perfil político-ideológico de Leon Trotsky, velho conciliador, falso materialista dialético.

 

“Em 1903 – escreveu Lênin sobre Trotsky – foi menchevique; abandonou o menchevismo em 1904; voltou ao menchevismo em 1905, fazendo alarde de uma fraseologia ultra-revolucionária; em 1906 se separou de novo; em fins de 1906 defendeu os acordos eleitorais com os kadetes (isto é, esteve outra vez com os mencheviques); na primavera de 1907 disse que divergia de Rosa Luxemburgo em matizes individuais. Trotsky plagia hoje a bagagem ideológica de uma fração, amanhã de outra e, como consequência, se proclama situado por cima de ambas as frações. Em teoria, Trotsky não está de acordo em nenhum ponto com os liquidacionistas e os otsovistas, mas na prática está totalmente com os Golos (liquidacionistas) e os de Vperiod (otsovistas) (V. I. Lênin, Obras Completas, vol. XVI, p. 392).

E, em dezembro de 1911, Lênin assinalava:

“Com Trotsky não se pode discutir a fundo, porque não tem opinião alguma. Pode-se e deve-se discutir com os liquidacionistas e os otsovistas convictos, porém, com um homem cujo jogo é encobrir os erros de ambas as tendências não se discute: se desmascara como… a um diplomata do mais baixo jaez” (A Diplomacia de Trotsky e Certa Plataforma, V. I. Lênin). Não somente antes, mas após a Revolução de Outubro, Trotsky hostilizou o leninismo. Na questão crucial da paz de Brest-Litovski, defendida energicamente por Lênin, e da qual dependia a própria sorte da revolução, Trotsky fez todos os esforços para derrotar a proposta do chefe do bolchevismo. Chegou a renunciar ao posto de Comissário do Povo para os Negócios Exteriores a fim de pressionar outros camaradas a votarem contra Lênin. Negou-se peremptoriamente a participar da delegação de paz. Mais tarde, em momento difícil da revolução, forçou um debate geral sobre os sindicatos. Intentava, nessa ocasião, 1920, implantar nas entidades de massas normas rígidas de direção. Não percebia que, terminada a guerra, entrava-se num período de construção pacífica da economia. Os métodos militares e a política do comunismo de guerra estavam ultrapassados. Ele exigia que se “sacudissem” os sindicatos e os estatizassem sem ver que os sindicatos, como indicava Lênin, são organizações autônomas das massas, correias de transmissão entre a ditadura do proletariado e os trabalhadores. Para dirigir corretamente tais organizações, nessa nova fase, impunha-se a adoção de outros métodos – os da persuasão, em primeiro lugar, e não os da coerção, como queria Trotsky. Este transplantava para as entidades sindicais os métodos próprios das organizações militares. Nessa ocasião, Lênin afirmou:

 

“Quando comparo o folheto de Trotsky com as teses que ele apresentou ao Comitê Central e o reviso cuidadosamente, assombra-me a quantidade de erros teóricos e de evidentes inexatidões que contém”.

E mais adiante:

“Trotsky incorreu numa série de erros relacionados com a essência da ditadura do proletariado” (V. I. Lênin, Os Sindicatos, a Situação Atual e os Erros do Camarada Trotsky).

 

Enfim, o trotskismo não é nem nunca foi leninista, mas uma corrente pequeno-burguesa, incapaz de entender o marxismo e a dialética marxista, oscilando ora para a direita, ora para a esquerda, mas principalmente para o ultra-esquerdismo. Com o passar do tempo, e ante os repetidos fracassos que sofria, Trotsky evoluiu no sentido de posições abertamente contra-revolucionárias, transformou-se num instrumento da burguesia destinado a desviar as massas da verdadeira luta emancipadora, da sua integração no partido. Esforçou-se por fazer malograr a construção do social ismo na URSS.


AS TÁTICAS DO TROTSKISMO

Os métodos de atuação e os procedimentos táticos do trotskismo refletem o caráter da sua orientação e linha de conduta anti-revolucionária.

 

A tática preferida tem como elemento constante a utilização da fraseologia ultra-esquerdista com a qual procura explorar o sentimento de revolta das massas, buscando atraí-las e instigá-las a posições extremadas que não levam em conta a situação real, os compromissos obrigatórios, a aliança com certas forças não-proletárias. É uma tática de isolamento da classe operária que, se adotada, conduziria o movimento revolucionário ao total insucesso.


O centro do ataque dos trotskistas orienta-se contra o partido do proletariado, marxista-leninista. Tudo que possa servir para enfraquecê-lo ou desacreditá-lo é por eles usado sem nenhum escrúpulo. Sabem que o partido marxista-leninista é a força impulsionadora, organizadora e conscientizadora das massas visando à revolução. Tratam por isso de difamar, deturpar a atividade dos autênticos comunistas, incompatibilizá-los com os trabalhadores por meio da mentira. Intencionalmente, confundem os marxistas-leninistas com os revisionistas, traidores da causa operária. Espalham boatos, atribuem ao partido propósitos inconfessáveis eivados de falsidade. Nesse particular, seus ataques coincidem com os da burguesia e do seu aparelho de repressão. Têm o mesmo conteúdo. Em toda parte, desde a década de 1920, pregam a construção do “verdadeiro partido” em oposição aos partidos marxistas-leninistas existentes no mundo, que seriam aparelhos burocráticos. Nunca construíram nada. O que fizeram e fazem é intrometer-se em partidos falsamente operários para tentar afastar os proletários da sua autêntica vanguarda de classe.

 

A arremetida furiosa contra Stalin e o stalinismo é um dos principais chavões da tática dos trotskistas. São ridículos e, ao mesmo tempo, cínicos nessa investida. Fazem coro com a campanha desencadeada pelo imperialismo e por todas as forças reacionárias objetivando a denegrir a figura e a obra do grande revolucionário proletário que foi J. V. Stalin, continuador de Lênin, construtor do socialismo na URSS à frente do povo soviético. A essa infame campanha juntaram-se Kruschev e seus seguidores, renegados da revolução e da causa suprema da classe operária. O stalinismo, se se pode empregar este termo, outra coisa não é senão a aplicação e o desenvolvimento da teoria marxista, a sistematização da rica experiência da edificação da nova sociedade na antiga Rússia. Atacando o stalinismo, por eles deturpado e apresentado como burocracia e reformismo, o que os trotskistas visam é a desorientar os trabalhadores, procurar distanciá-los dos verdadeiros revolucionários, os marxistas-leninistas, dificultar o trabalho de frente-única nas organizações de massas.


Os trotskistas adotam como método de atuação o entrismo, recomendado nos anos 1930 por Trotsky aos seus correligionários. Entrismo que significa introduzir-se sorrateiramente em partidos e organizações de esquerda com o fito de aí realizar o seu trabalho sectário, divisionista, contra-revolucionário. Isolados das massas, desmoralizados, sem condições de aparecer com a própria fisionomia diante dos trabalhadores, recorrem ao bifrontismo como meio de camuflar sua ações escusas e fazer proselitismo. A par do entrismo, organizam distintos grupos com posições aparentemente diferenciadas. Esse comportamento contraditório explica-se pela incoerência da sua “doutrina”. Usam esses grupos portadores de opiniões diferentes para, como diz o velho ditado, vender gato por lebre. E ter sempre argumentos de reserva a fim de justificar sua traição aos interesses fundamentais do proletariado.

A IV INTERNACIONAL

Rejeitado pelo povo soviético, Trotsky iniciou no exterior sua atividade tendenciosa. Em contraposição à III Internacional leninista, fundou um arremedo de organização mundial por ele denominada de IV Internacional que no período da Segunda Grande Guerra se dispersou por falta de apoio. Os trotskistas tentaram reconstruí-la em 1943. No começo da década de 1950, sumiu novamente. Voltaram à liça em 1963, sem resultados positivos. Reuniram-se novamente em 1982, e a crise continua.

A atividade geral dos trotskistas, bastante escassa, reanimou-se após as infâmias de Kruschev acerca da atuação de Stalin. Ao difundir calúnias e inverdades sobre a construção do socialismo na URSS, os renegados revisionistas prestaram relevantes serviços à burguesia e ao imperialismo. Na onda que levantaram contra o comunismo, ergueram-se também os trotskistas. A expansão do revisionismo, atingindo os partidos comunistas que se converteram em organizações social-democratas, abriu igualmente caminho aos trotskistas. Conseguiram assim avançar um pouco mais em alguns países, notadamente na França, nos Estados Unidos, na Argentina.

Atualmente, estão divididos em duas alas internacionais, ambas reivindicando a paternidade da IV Internacional. Uma, intitula-se Centro Internacional de Reconstrução; a outra, Liga Internacional dos Trabalhadores. A primeira edita o jornal Tribuna Internacional, a segunda, o Correio Internacional. As duas baseiam-se no “Programa de Transição” escrito por Trotsky em 1938. Estas alas subdividem-se em vários grupelhos em distintos países. Mas todos defendem linha idêntica, diferente apenas em nuances, linha anti-revolucionária, antiunitária, de ataque aos movimentos marxistas-leninistas. Não obstante, a luta entre elas toma em determinados momentos formas agudas. Em seu número de março/abril de 1983, o Correio investe contra o SU (Secretariado Unificado) que teria utilizado um “entrismo sui generis”, votando resolução favorável ao ingresso dos trotskistas (disfarçadamente) nos partidos comunistas (revisionistas) e chamando Fidel Castro de “revolucionário formidável”. Por sua vez, a Tribuna (outubro/1982) agride o Partido trotskista dos Estados Unidos, o SWP, que se teria afastado das linhas mestras do trotskismo, inclinando-se para o apoio a Fidel e fazendo o elogio da direção vietnamita. A contenda chega às vezes a lances vergonhosos revelando a tratantada que se passa nos bastidores trotskistas. Lambert e Villaran, figuras de proa do trotskismo, acusam Ricardo Napuri, senador peruano de tendência trotskista, “de ter roubado dinheiro do partido…”

O principal dirigente da Liga Internacional, Nahuel Moreno, afirma sem rodeios, referindo-se à luta do Solidarnosc, na Polônia, que:

“os trotskistas não deviam ter medo de fazer o jogo do imperialismo, deviam lutar pela ditadura revolucionária do proletariado, dirigida por Walesa, sem temer que essa ditadura fosse de fato a representação direta de Reagan, do Papa, de Mitterrand no seio do Estado Operário” (In Tribuna Internacional (set/1982) sobre a Conferência Mundial Aberta).

 

Verdade é que, na prática, o trotskismo sempre fez o jogo do imperialismo e da reação, continuamente se opôs aos interesses da classe operária e do povo.

As duas alas da pretensa IV Internacional tratam o Estado Cubano de Estado Operário:

“Não por acaso – escreve The Militant, semanário do SWP trotskista dos Estados Unidos – o Estado Operário mais democrático do mundo é também o país em que os operários e os camponeses desenvolvem o mais firme e mais profundo internacionalismo revolucionário. Este internacionalismo fez de Cuba uma inquebrantável defensora da URSS contra o imperialismo” (o grifo é nosso).

 

Aqui, junto com o apoio aberto à União Soviética revisionista, social-imperialista, aparece uma estranha caracterização do Estado. Certamente, Cuba fez uma revolução democrática e antiimperialista. Mas a não ser em palavras, nos discursos bombásticos de Castro, não alcançou a etapa socialista. Presentemente, é um país dependente da URSS. Quem dirige o Estado cubano não é a classe operária, mas a pequena-burguesia.

 

Também no que se refere à Nicarágua, onde foi iniciada uma revolução nacional e democrática que enfrenta sérias dificuldades, os trotskistas asseveram que ali começou a ditadura do proletariado:

 

“A constituição de milícias e de comitês pela classe operária e o campesinato, e o combate militar dirigido pela FSLN, que tinha como eixo acabar com a ditadura somozista tiveram como resultado a abertura da revolução proletária. Havíamos assinalado na época que esta revolução proletária começando na Nicarágua, desmantelando o Estado burguês, havia abalado o conjunto dos países da região” (In Tribuna Internacional (set/1982), “A Conferência Mundial Aberta Trotskista”).

 

Como se vê, na Nicarágua, onde a classe operária não conseguiu até agora a hegemonia no processo revolucionário complexo que ali se desenrola, já se deu, segundo os trotskistas, a abertura da revolução proletária, socialista! Repete-se, tanto no caso cubano como no nicaraguense, o erro de Trotsky de confundir as etapas da revolução, de suprimi-las arbitrariamente. Em última instância, é o esforço por contrapor-se à verdadeira marcha revolucionária que exige para o seu êxito clareza na definição das etapas inevitáveis.

Com relação à União Soviética, inteiramente falsa é a caracterização que fazem do atual sistema social vigente nesse país. Dizem eles:

“São idênticas as relações de produção na União Soviética de 1917 e de 1982, só as formas políticas são diferentes (…) No plano das relações de produção devemos considerar que não há mudança qualitativa” (In Tribuna Internacional (set/1982), Resolução da IV Internacional).

Insistem ser indispensável “identificar, sob o ângulo das relações de produção, a URSS de 1917 à URSS de 1982” (Fonte citada).

Erro evidente. Começa que as relações de produção na URSS de 1917 só parcialmente eram socialistas, isto é, no setor das empresas nacionalizadas. No campo e em outros setores, as relações de produção não tinham ainda cunho socialista. Nessa época, na opinião de Lênin, havia cinco diferentes tipos de economia na Rússia: a patriarcal, a pequena produção mercantil, o capitalismo privado, o capitalismo de Estado e a formação socialista. De qualquer modo, é mecânica e destituída de fundamento a separação que os trotskistas fazem entre relações de produção e formas políticas. As relações de produção dependem do sistema de propriedade. Se a propriedade é socialista também o é o regime político. (Pode haver, no período inicial do poder proletário, diversos tipos de relações de produção, como de 1917 até 1921 ou um pouco mais, na Rússia, mas tendem a desaparecer porque a propriedade vai-se transformando em bem geral da coletividade.) Ao contrário, se o regime político deixa de ser socialista, igualmente a forma de propriedade se modifica, já não será mais socialista. Ora, na União Soviética, desde que os revisionistas se apoderaram da direção do Partido e do Estado, deixou de existir o socialismo; eles mudaram não apenas as formas políticas, mas a natureza mesma do Estado que, de ditadura do proletariado, passou a ser, conforme decisão tomada no Congresso do partido revisionista, um pretenso Estado de todo o povo. Sem ditadura do proletariado não há socialismo, mas uma forma disfarçada de dominação da burocracia erigida em classe burguesa dominante. Com as modificações operadas no regime político soviético, o sistema econômico converteu-se em capitalismo de Estado, mudando na essência as relações de produção. É bastante observar o que ocorre no setor de distribuição, parte integrante do conceito de relações de produção. Atualmente, como se dá na URSS a distribuição daquilo que foi produzido? Uma pequena parcela da população, ligada ao poder político, usufrui proventos e vantagens que lhe asseguram um modo de vida burguês, enquanto a maioria dos trabalhadores ganha salários insuficientes. Os recursos que beneficiam a diminuta camada privilegiada, burguesa, são retirados daquela parte que, na distribuição, deveria acelerar o crescimento da produção e a elevação do nível do bem-estar material e cultural do povo trabalhador. É um embuste dizer que na União Soviética dos nossos dias as relações de produção são socialistas, e as formas políticas não.

Trotsky já havia assinalado falsamente que:

“Para nós, o critério político essencial não é a transformação das relações de propriedade nesta ou naquela região, mas a mudança a ser operada na consciência e na organização do proletariado mundial, a sua capacidade de defender suas conquistas anteriores e realizar outras (…) O conteúdo fundamental da ditadura do proletariado, a expropriação, é válido sempre”.

Indubitavelmente, o conteúdo fundamental da ditadura do proletariado não é a expropriação por si mesma, o que também se faz em certos casos numa revolução democrática, mas a dominação de classe do proletariado, sua luta para construir a nova sociedade. A principal conquista é o Estado de ditadura do proletariado, a liquidação de todas as formas de domínio burguês e o surgimento de novas relações de propriedade que devem ser aprofundadas e consolidadas. A União Soviética de hoje não é socialista, nem no aspecto político, nem no das relações de produção, apesar de manter a antiga expropriação, que agora serve a outros fins.

 

Convém destacar a desfaçatez dos trotskistas que, no período anterior a Kruschev, não faziam outra coisa senão agredir a União Soviética e o seu regime socialista, e depois que o revisionismo ali se implantou, passaram a elogiá-la, a considerar não ter havido mudanças significativas no campo das relações de propriedade.

 

Esforçando-se por criar um centro internacional de coordenação dos diversos grupos em que se dividem e subdividem, os trotskistas apregoam a tese de que “o internacionalismo proletário é abstrato quando não está ligado a uma Internacional”. Evidentemente, o internacionalismo militante, ativo, não se relaciona, invariavelmente, com a fundação de um centro mundial, o que depende de certas condições históricas. De 1873 a 1889 não existia nenhuma internacional e nem por isso desapareceu o internacionalismo. Tampouco de 1917 a 1919. Mas todos reconhecem que, neste período, realizaram-se vigorosas manifestações internacionalistas proletárias cerrando fileiras em torno do novo poder surgido na Rússia. E depois da extinção da III Internacional, em 1943, o internacionalismo não se evaporou, nem perdeu a força. Expressou-se decididamente no apoio à União Soviética em guerra contra a Alemanha hitlerista, na condenação à agressão norte-americana à Coréia, na ajuda generalizada à luta dos povos do mundo inteiro. O que realmente o define é a conduta revolucionária dos proletários frente aos combates de classe em sua própria pátria que contribuam para abalar e liquidar o sistema capitalista mundial, é a defesa das nações socialistas, bem como a sustentação consequente dos movimentos emancipadores que têm lugar nos diferentes países. O apelo de Marx e Engels – “Proletários de todos os países, uni-vos”! – não se traduz automática e esquematicamente pela criação de internacionais. (Os fundadores do marxismo participaram da dissolução da I Internacional). O exato sentido desse chamamento histórico é o de que os proletários devem unir-se na luta revolucionária para derrubar o capitalismo e construir em todo o Globo a nova vida socialista, comunista. O argumento perrengue dos trotskistas, nesta questão, destina-se unicamente a justificar a recomposição, sempre falida, da IV Internacional desagregadora, anticomunista.

O TROTSKISMO NO BRASIL

Também no Brasil atuam os trotskistas. No passado, formavam um grupelho inexpressivo que se limitava, como os seus parceiros de outras regiões, ao ataque permanente à URSS socialista e ao partido da classe operária. Faziam provocações, tentavam organizar frações no seio do Partido Comunista do Brasil, sem êxito.

 

Na atualidade, são mais numerosos. Durante o período da ditadura militar, quando a repressão se tornava violenta contra os autênticos revolucionários, contra os democratas consequentes e até mesmo contra os reformistas, eles começaram a ganhar terreno. Exceto elementos isolados, não eram tão perseguidos. Hoje constituem grupos que ostentam as mais variadas denominações: “Convergência Socialista”, “Libelu”, “Alicerce”, “Centelha”, “Travessia”, “Peleia” etc. Uns são filiados à ala da IV Internacional que edita a Tribuna Internacional, outros à do Correio Internacional. Publicam alguns periódicos: Em Tempo, Alicerce, O Trabalho, entre outros.

 

Por certo tempo sua atividade foi panfletária, sem maior significação. No momento da reorganização dos partidos políticos, os trotskistas de diferentes tendências, sem exceção, integraram-se maciçamente no Partido dos Trabalhadores, presidido por Luís Inácio da Silva. Cobrindo-se com a bandeira do PT, trataram de ligar-se às massas, em especial à pequena-burguesia. Com o tempo, e astúcia, foram-se assenhoreando de posições importantes nesse partido que surgira de lideranças sindicais envolvidas nas lutas grevistas de 1978-80, sem experiência política. Muitas teses errôneas defendidas por dirigentes do PT são de origem trotskista. E não apenas conceitos políticos ou filosóficos, mas também métodos de atuação sectários, exclusivistas e até provocadores.

 

Ao introduzir-se no PT, o seu objetivo é buscar um ponto de apoio à sua atividade perniciosa no movimento democrático e no seio da classe operária e do povo. A finalidade que perseguem pode ser resumida da seguinte maneira: impedir ou dificultar a unidade da classe operária e das forças populares; apoderar-se, com a capa de petista, das organizações de massas que, em seguida, se transformam em entidades de uma determinada tendência política, perdendo seu caráter massivo, sendo levadas a posições estreitas e antiunitárias; bloquear a união das correntes democráticas e patrióticas; e, principalmente, tentar marginalizar o partido marxista-leninista, o PC do Brasil, arma afiada da luta pelo socialismo. Isoladamente, os trotskistas representam pouca coisa, sua desmoralização é grande. Mas acobertados com o manto do PT conseguem penetrar entre as massas usando linguagem ultra-radical como meio de atrair os trabalhadores. Seu radicalismo nada tem de revolucionário; no fundo, são reformistas, economicistas. No que respeita à política, circunscrevem-se a palavras-de-ordem gerais, abstratas, sem relação com o curso real da situação.

 

São useiros em lançar campanhas e jornadas irrealistas, estreitas, que se esvaziam num palavreado oco e terminam em acusações aos que não lhes seguem as pegadas. As organizações que caem sob a sua influência imobilizam-se, tornam-se arena de disputas intestinas entre grupos trotskistas. Falam muito em organização independente da classe operária no terreno sindical. Mas a orientação que preconizam é a da divisão, da fundação de múltiplas centrais sindicais que servem para isolar os trabalhadores em agrupamentos ligados a correntes políticas diversas. Por sinal, tal orientação coincide com as do imperialismo, do Vaticano e da socialdemocracia. O proletariado precisa de liberdade sindical, da independência de seus sindicatos frente ao Estado e aos patrões. Mas ao lutar pela liberdade e autonomia sindical, em defesa dos seus interesses vitais, os trabalhadores almejam a unidade da classe, opõem-se ao fracionamento, à divisão de suas fileiras o que favorece unicamente ao capital, à exploração burguesa.

 

Entre a juventude, os trotskistas promovem atividades dissolventes, desagregadoras, desmoralizantes. Tratam de explorar o sentimento de renovação e rebeldia sempre presente nos jovens, ansiosos de liquidar os tabus, os preconceitos, os empecilhos levantados pelo mundo burguês ao progresso social e cultural. Introduzem idéias malsãs, propagam, como se fossem progressistas, deformações e vícios da sociedade capitalista em decomposição.

 

Minoria insignificante nos movimentos de massa, procura impor opiniões e projetos recorrendo a métodos fascistas. Por meio do tumulto, da balbúrdia, das vaias dirigidas criam um ambiente de confusão nos atos massivos, buscando impedir dessa forma o pronunciamento e a argumentação dos que não comungam de seus pontos de vista. Com isso comprometem a própria imagem do Partido dos Trabalhadores que aparece como organização adversa à democracia.


TENTATIVA DE TRANSFORMAÇÃO DO PT EM ORGANIZAÇÃO TROTSKISTA

O Partido dos Trabalhadores é uma organização ainda indefinida sob o aspecto político-ideológico. Tende para a social-democracia, embora criticando certas posições dessa corrente. Nega ser um partido burguês, mas não se pode caracterizar como partido operário. Ideologicamente situa-se no campo da pequena-burguesia e, no quadro político, aspira a se tornar trade-unionista.

 

Desse modo, é terreno propício à atividade em suas fileiras de variadas correntes, sobretudo das que se opõem ao socialismo científico. Aí atuam setores anticomunistas da Igreja, alguns renegados do verdadeiro partido da classe operária, os trotskistas de diferentes matizes e, sem dúvida, também os carreiristas políticos.

 

Mas no PT há setores sadios, sindicalistas sinceros, democratas conseqüentes, trabalhadores combativos. Formam, aliás, a parte principal dos que fundaram e sustentam o Partido dos Trabalhadores.

 

Penetrando nesse Partido, os trotskistas tinham em vista preparar as condições para mudar o caráter da organização e dela se apossar. Seus intentos dentro do PT nunca foram honestos. Em 1982, declararam abertamente que seu objetivo atuando nas hostes petistas era transformá-las num partido trotskista, ligado à IV Internacional.

 

“Aos trotskistas, que batalham no interior do PT, como fração consciente, cabe trabalhar lealmente(!) procurando vincular o PT ao combate pela Internacional Operária, que para nós, trotskistas, não é outra coisa senão a IV Internacional” (o grifo é nosso) (“Resolução do VI Congresso da Organização Socialista Internacionalista”, trotskista).

 

As publicações trotskistas em diversos países apresentam-no como se fora um partido na senda do trotskismo.

 

Ao mesmo tempo que buscam dominar o Partido dos Trabalhadores, abrem luta com o que chamam de sua “ala direita”, ou seja, os que não rezam pela cartilha dos partidários de Trotsky.

 

“O comportamento dos trotskistas deve ser claro: combater decididamente a ala direita (…) representada por uma parte da cúpula do partido” (“Resolução do VI Congresso da OSI”, trotskista).

 

Airton Soares, um dos fundadores do PT e líder da bancada petista na Câmara Federal, é considerado pelos trotskistas como “o porta-voz da ala direita (…) que assumiu nitidamente uma posição de porta-voz da burguesia no interior do partido” (“Resolução da OSI”, já citada). Os trotsquistas tomam resoluções sobre os movimentos sindical, do funcionalismo público, dos estudantes etc. para serem aplicadas pelo PT. Ditam, na prática, a orientação e a linha de conduta desse partido em tais movimentos. Eles se opõem acintosamente à unidade dos estudantes dentro de suas organizações tradicionais, a UNE e a UBES. Querem transformá-las em instrumento de sua manipulação sectária. Numa resolução da OSI, de maio de 1983, se lê:

 

“Para desenvolver esta batalha (varrer a direção unitária da UNE), os trotskistas se lançam na organização dos estudantes do PT, impulsionando a construção de núcleos, a realização de encontros por universidade, cidade, estado e nacional” (…) “Constatam que é em torno do PT que se agrupa o núcleo da oposição à direção da UNE”.

 

Salta à vista que os trotskistas utilizam o PT como simples instrumento da sua política. E quanto à UBES, proclamam que o centro de preocupação dos partidários de Trotsky é:

 

“a intervenção no interior do PT, no sentido de que os secundaristas do partido se engajem na construção da Oposição (…) Para nós, trata-se de ter como eixo de intervenção, no interior do PT, a construção de núcleos por escolas (…) O engajamento dos petistas na luta contra a diretoria (da UBES) é fundamental na constituição da Oposição”.

 

De fato, nos Congressos e Encontros estudantis, os trotskistas aparecem arrebanhando os petistas. São repetidamente derrotados pela união crescente dos estudantes de todo o país que lutam pela liberdade, pela unidade, em defesa das justas reivindicações dos universitários e dos secundaristas, contra o regime militar que oprime o Brasil há vinte anos.

 

No que se refere à atividade internacional, o Congresso da OSI (maio/1983) traça a linha a ser seguida pelo PT.

 

“No interior do PT – diz a resolução aprovada pelos trotskistas – as atividades de defesa da Revolução Política na Polônia adquirem importância na luta pela afirmação do PT como partido operário independente contra o stalinismo. Isso significa que o PT deve prolongar a sua solidariedade aos trabalhadores poloneses, ligando-se ao movimento internacional de solidariedade que se desenvolve”.

Igualmente, a respeito da ação sindical e da CUT os trotskistas falam pelo Partido dos Trabalhadores.

Alguns êxitos alcançados pelo PT são atribuídos única e exclusivamente aos trotskistas em suas publicações. “O decisivo no CONCLAT – escrevem eles – foi a bancada de 200 trotskistas (…) A campanha pela libertação dos líderes sindicais respondendo a processos na Justiça Militar, também foi obra dos trotskistas (…) A CUT seria o resultado do trabalho dos trotskistas aliados à ANAM-POS” e assim por diante. A pretensão é grande. Mas não ficam nisso. Consideram que palavras-de-ordem fundamentais do PT são fruto da elaboração trotskista (o que não é de todo inexato). Enfim, o PT já seria, nesta altura, uma mescla de sindicalismo e de trotskismo em marcha para se converter numa entidade da IV Internacional.

Que se acautelem os petistas: o cavalo de Tróia dos trotskistas já invadiu seus domínios, lealmente!…

Os trotskistas não são aquilo que blasonam. Resumem-se a pequenos grupos em constante desagregação. A “Convergência Socialista” praticamente desapareceu, hoje vive em função de uma ala jovem denominada “Alicerce da Juventude Socialista”. Alguns jornais deixaram de circular por falta de leitores. Eles mesmos confessam que “cai o número de militantes trotskistas” e que “a venda dos jornais” se reduz. Mas continuam ativos na sua pregação e ação contra-revolucionária.

* * *

Na luta ideológica contra os encapuzados inimigos da revolução, torna-se necessário desmascarar também o trotskismo. Isto faz parte do combate geral pela elevação do nível de consciência política das grandes massas que precisam distinguir, na complexidade da luta de classes, o joio e o trigo.

 

Em nosso país há um proletariado jovem surgido no curso das últimas duas ou três décadas. Não conhecem o desmascaramento, feito no passado desses camuflados adversários do comunismo. Vivendo sob ditadura feroz, teve poucas possibilidades de entrar em contato com as idéias avançadas que lhe dizem respeito. Está ansioso por fazê-lo, mostra-se receptivo aos pontos de vista revolucionários. Por isso é indispensável ajudá-lo a não se confundir, a saber separar as opiniões corretas das incorretas. Os trotskistas constituem uma das muitas variantes da política burguesa para o movimento operário. Seus dirigentes são falsos sinaleiros do caminho da revolução social.